segunda-feira, 1 de março de 2010

Desumano II

- Ei, moço, isso no chão é seu?
- Desculpa, senhora, não é meu.
- Tem certeza, moço?
- ...
- É o sorriso mais lindo que já vi.

Desumano

É tudo tão desencantado no mundo do nada.

Procura-se a magia, pois,
neste mundo sólido,
ela se perdeu.
É a dança, senhores, a dança da vida
a dança da mãe Gaia, em sua grata despedida,
culpa dos homens do franco abandono,
eis o manifesto contra o óbvio e o comum,
contra seus irmãos que a cercam.

A fúria, a calmaria, a intempestividade,
o comodismo e a aceitação,
balançados em dança na verdade.

Por isso os homens a temem,
suas mãos não alcançam o mar,
não subjuga-se ao seu frágil domínio,
eis que lá está o seu último desafio,
nada adianta, senhores, nada adianta,
a maré é mãe, é Gaia, é a sina,
é despedida e verdade,
é a alma ferida, de alguém enjaulado,
mas que quando se liberta explode em vida.