sábado, 6 de junho de 2015

(Nunca mais me veio uma poesia,
Essas tortas linhas,
desconsidere,
são partes-perdidas-impacientes)

Faz parte do trânsito:
poesia é canto d'alma,
é perder-se logo no átrio,
é o sentido em alcalino-ácido.

E assim vai ela torta,
A poesia, certeira porta,
reflete a alma insonssa:

"Dilacerada, minha querida?!
não se aflija tanto,
são só coisas da vida"

Se reconstitui:

Se poesia é vida,
e vida é dor,
dor é entendimento,
entendimento é evolução,
pois, sem saída,
evoluir é sentido sem linha reta,
e este se perde,
pois não há um fim para tudo,
assim se faz a poesia,
a graça do poeta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Uma nota que espero nunca mais escrever

Você sempre foi o melhor de todos nós em tudo. Nunca tive qualquer dúvida disto. A sua inteligência era de outro mundo: ela não se destacava somente no aprendizado, mas nas conversas, na formulação de piadas, na ironia. Bem por isso, digo, você é a pessoa mais inteligente que conheci.

Por ser o nosso melhor, você também era, para muitos, incluindo eu, fonte de inspiração - para alguns poucos, os que não te compreendiam, ou lhe invejavam, era pura arrogância. E por ser minha fonte de inspiração foi o que me fez perguntar e ir atrás sempre do melhor de mim em tudo. Lembro de passar no vestibular, após um cansativo ano de cursinho - quando você esteve me apoiando e quando você esteve em um lugar de meta a ser alcançada por mim, afinal, já era um dos destaques da sua faculdade - e você não me parabenizar com um "você não precisava do cursinho para passar se tivesse estudado". Foi o melhor parabéns que obtive.

Lembro de no meu primeiro semestre ir em sua faculdade e você estar lá, no movimento estudantil, já compondo a diretoria. Lembro do ano seguinte você estar na diretoria regional e, algum tempo após, na nacional. Tudo com você sempre foi assim: crescente, em plena ascensão, e me enchia de orgulho. Paralelo à política sua carreira acadêmica era excepcional: saindo da faculdade para o exterior e, após tudo isso, você regressa como o melhor de nós, agora em uma outra dimensão.

Sempre busquei por notícias suas não só por nossa amizade, mas como forma de tentar sempre estar em seu percalço, como uma forma de tentar lhe alcançar. Lembrar de você, falar com você, saber de você, era uma forma de trabalhar a minha humildade e a minha perseverança. E você se tornou uma meta alcançável, depois distante e, agora, inalcançável...

Você caiu, eu sei. Não sei os motivos, não sei o porquê... Como um ser que hoje possui toda essa empatia que me é tão característica, me imaginei com você lá, antes da queda, me imaginei sendo você, em queda. Isso, talvez, como uma última tentativa de me conectar a você. Nunca me imaginei conectando a você nessa dor, nessa perda, sempre imaginei me conectando a você pelo acaso: apesar do nosso pouco contato, um dia, andando em qualquer lugar bonito, toparia com você e aí lhe apresentaria meus filhos, você os seus e falaríamos de nossas vidas com saudade do passado e extremo orgulho do presente.

Esse momento não vai acontecer, infelizmente. Contra esse não acontecimento eu não posso fazer absolutamente nada. E é assim que você deixa a sua última lição: não somos nada diante dos acontecimentos do destino. Podemos nos adaptar, podemos continuar seguindo, podemos, até certo ponto, evoluir, mas somos condições, somos vidas em um viver-de-coração-apertado-limitado-a-uma-força-maior. E rezo para que você esteja com Ela, com Ele, desfrutando dessa nova etapa, de forma precoce, como você sempre foi. Uma luz.

Descansa em paz, meu amigo.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Acordei repentino.

O sonho requeria sentido (e havia). Todo o sonho se resumia às dezenas de todos os outros que tive: perguntas, e muitas, acumuladas ao redor de anos, de vidas, de séculos. Me perguntava diante de tantas perguntas (veja, quanta ironia) se haveria como respondê-las por mim mesmo (no final tudo se resumia: há algum sentido maior em deixar de resolver isso? Observe: resolver!... e isso está além de uma simples resposta).

Mas, de mãos atadas, não posso ser o Senhor das Respostas, tampouco das Resoluções (bem que eu queria). Ignoro e volto a dormir: adiar nunca foi o melhor remédio, mas, hoje, me cai como uma boa dose homeopática.