quinta-feira, 17 de julho de 2014

Um pouco daquele bigodudo

Apolo, vai-te, Dionísio, vem-te,
Em harmonia bruta,
nesta luta dês sempre perdida,
ambos em vão,
Vão-te, vêm-te,
Vendados, vendeta.

Da tragédia grega produto de dois irmãos,
Apolo é sonho, sincronia, perfeição e forma,
Dionísio é cru, embriaguez real da dor e sinceridade.

Apolo-construto chega-te,
e os teus dionisíos vão
Dionísio-loucura chega-te,
E a verdade é sã


segunda-feira, 14 de julho de 2014

A voz da pergunta era frágil, mas parou o som: seu pensamento-questão gritava mais alto do que todo o ambiente. Se via destacado e, por isso, se assustou: não via mais aquelas pessoas que lhe cercavam. 

Não era tão diferente dos outros momentos, quanto mais silêncio, menos estava presente, quanto mais barulho, mais estava ausente (no fundo, era um segredo bem guardado: ele nunca esteve aqui...). 

Dois puxões em sua camisa para que ele respondesse a sua pergunta - e voltasse ao inferno dos decibéis. 

Ela era estranha, alheia também de certa forma, ele não sabia se ela raciocinava comumente ou se estava em um estado alheio-similar. Muito provável que não, outro como ele era raro: Deus é bom. 

E ela tornou a perguntar: "e o que te trouxe aqui?" E o barulho se foi, foi levado para outro mundo e ali soube que aquele resgate não podia ser obra de qualquer homem, só do amor.
Quem me deitou aqui?
Eu estava cansado, Deus,
mas não para isso.

Naquele seu sorriso vulgar,
em sua tentativa de trazer o inumano,
com palavras perdidas,
sem lugar,
me aluga o tempo,
a vida,
o tempero e o tormento.

Aliás, quem me tirou o tempo?
Eu estava cansado, Deus,
mas não para parar isso.