quarta-feira, 24 de junho de 2009

Id

Eu me excreto, meu Deus, eu me excreto
por todos os poros, até em respirar,
fluidos, e fluidos de mim, buscam alívio.

Saiam para uma volta, e voltem,
são em mim e aqui vivam,
nunca se percam ou vão longe demais
tudo volta, ainda mais quando se fede,
aliás, mal cheiro depende de onde se cheira.

Traumas não se esvaem no sorriso branco,
é sempre a crosta amarela,
o torto desde o início,
por isso excrescências, suem, saiam, ganhem vida,
e retornem.

Também sou trauma, e dele vivo,
não sou só um,
preciso de vocês para viver.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu e você.

No espaço branco o vazio atormenta
não sou eu ali, vendo o dia tornar-se,
talvez seja a mim em páginas mal redigidas,
mas ainda não sou eu ali.

Não se esqueça que,
por mais que se tente,
não há natureza que abale
um coração fincado na intensidade da angústia.

Pois tudo desintegra
o sorriso, o sólido, a página mal escrita,
o eterno esvai-se na finitude do ser.

Agora sei, naquela página em branco,
cicatrizada por traços de lápis e borracha,
escrevi meu nome:
sou eu ali.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Passar o tempo III

Pressa, meu caro!
Pressa, o ônibus passa
e passa depressa.
Enfrenta a água friad'acorda,
engole o café.
E vai sem fé!

Hoje, sem tempo para nenhuma reza.

Passar o tempo II

Passatempo, tempo passa,
a todo e qualquer nenhum momento,
se é que você já deu tempo ao tempo,
saiba: o tempo passa, e há de passar.

Sem grande argumento,
nem adianta brigar,
é implacável e intolerante,
em seu percalço a morte e vida,
enquanto estou a pensar,
um passatempo, tempo passa,
e só a sorte há de nos salvar.

E nas ruas do tempo vazio,
os rostos d'antes conhecidos,
de rugas agora cheias,
nos mostra a decadência:
sorriso, amor e juízo,
e a velha clemência,
além da sorte,
para nos salvar.

Mas vida ainda há de brigar,
somente para aqueles que viram:
ninguém vive sem tempo,
porque tempo sempre há.

Passar o tempo I

Você,
não esqueça aquilo!
não está na pasta,
nos memorandos,
no arquivo,
na língua queimada do café apressado,
no grito do chefe pelo atraso,
ainda não viu,
mas você perceberá um dia,
que, em algum lugar,
alguém largou e esqueceu,
Você.

sábado, 16 de maio de 2009

Às armas, homens,
a morte chega hoje!

Às armas, por suas filhas,
por suas famílias,
por seu povo e nação.

Eis que vem à espreita,
a sanguinária faminta,
seu coração de estreita batida.

Às armas, e não se olhem no espelho
senão a verão.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Esperando

Voa, em meio a fortaleza dos corações
a acidez dos sentimentos
a burocracia da fé
e a perenidade dos tormentos

Voa, em meio a agonia do amor
a angústia do oprimido
e a incerteza se há remédio para a dor

Voa e desvia do abate da arma vil
do egoísmo sutil que se esconde no coletivo,
desvia de toda a sina,
voa mais acima do meu ser,
voa, pensamento em verde uníssono,
apenas para uma resposta:
aonde está Deus?

Cadeira de balanço

Ah! Breve aurora
tenho medo se é auréa.
Se eu te canto é sem vitória,
sou o outrora, teu fundamento,
querendo viver esta hora,
sem demora,
por que do agora,
não sei se quero passar.

Viva la indecisão

Esquerda, direita, frente, revolta
Esquerda, direita, em frente
Esquerda, direita não!
Esquerda?

Queda

Revira-volta...
Revira-volta, volver
Revira-volta, volver, direita
Revira-volta, volver, direita sem esquerda
Revolução?