terça-feira, 9 de julho de 2013

O convidado - um breve diálogo acerca do sentido.

Em meio ao salão de alta roda social, taça de champagne (sim, o verdadeiro), homem distintamente bem trajado se aproxima àquele de calça jeans e camisa básica. Inicia-se:

- E quem és tu dentre todos estes homens?

- Eu? Eu sou o simples que observa e anota, este sou eu.

- Anotas para o quê? Qual a finalidade de tuas notas? Espiona a nós, homens de bem?

- Anoto para fim algum além de um simples pensamento. Anoto palavras-chaves para refletir, palavras acerca das pequenas coisas que vejo, ou das conclusões baseadas em induções que concluo.

- Impropérios! Qual espécie de homem necessita a anotar coisas para pensar? Ainda mais coisas que não são a todos reveladas! Há outros objetivos, releve-os!

- Não creio que haja impropérios em tão simples notas, veja-as.

(E no bloco haviam palavras como sorriso frustrado, sorriso forçado, sorriso vazio, tristeza no olhar, tristeza nos gestos das mãos, pseudo-felicidade).

- Agora sim vejo: invadiste tal nobre festa vindo de algum manicômio! És louco!

(E assim o salão voltava-se aos dois.)

- Na verdade, o senhor me constrange um pouco. Esqueceu que eu sou o principal convidado e que foi justamente o senhor quem me chamou?

- ...

(Continua)


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