segunda-feira, 2 de março de 2009

Esperando

Voa, em meio a fortaleza dos corações
a acidez dos sentimentos
a burocracia da fé
e a perenidade dos tormentos

Voa, em meio a agonia do amor
a angústia do oprimido
e a incerteza se há remédio para a dor

Voa e desvia do abate da arma vil
do egoísmo sutil que se esconde no coletivo,
desvia de toda a sina,
voa mais acima do meu ser,
voa, pensamento em verde uníssono,
apenas para uma resposta:
aonde está Deus?

Cadeira de balanço

Ah! Breve aurora
tenho medo se é auréa.
Se eu te canto é sem vitória,
sou o outrora, teu fundamento,
querendo viver esta hora,
sem demora,
por que do agora,
não sei se quero passar.

Viva la indecisão

Esquerda, direita, frente, revolta
Esquerda, direita, em frente
Esquerda, direita não!
Esquerda?

Queda

Revira-volta...
Revira-volta, volver
Revira-volta, volver, direita
Revira-volta, volver, direita sem esquerda
Revolução?

sábado, 27 de dezembro de 2008

Clichê com J

Joaquim perdeu Joana no jogo
jaz, dela, o pai José,
jazido no jantar por congestão,
jóia era ela de Josefina, sua mãe,
jantada toda noite feito calabresa,
José criou, só, Joana e João,
(Josefina fugiu com o jornaleiro)
João jogou-se da ponte,
jornais noticiaram, ninguém entendia,
"Juventude perdida: Jovem joga-se da ponte"
Janeiro veio, então, descobriu-se o motivo do pulo:
Jasmim, jovem, uma jibóia, diriam, "come juízos"
Julho, nasce Joana, jeitosa, uma graça.
Já jovem, motivos de atenção,
Joaquim (filho do jornaleiro) joga-se nela
Já feitos 6 meses casam-se
Joaquim feliz, mas cai na jogatina
Jovem, perdido, joga joana no jogo e agora?
Jaz, de novo, para ela, o que sobrou:
Jacinto amor.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Janela aberta

Temporizado sente o vento
mudou-se às seis
de nada adianta gritar, voltaria para si,
ficando surdo,
é contra ele, pois dele parte
conserva o sorriso,
forçado não insiste, agora entende:
é só uma brisa.

Roteiro

Se de nada adiantou mudar,
conseguiu,
pois tenta-se vão,
quem ao nada faz.
Por que viver o dia só com um sorriso?
Chore, também faz parte do roteiro.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mut-(e)-ação

O amor comido pelo verme,
por isso não ama-se a vida inteira, seria obtuso:
a mão doce, presente, o tempo esvanece, tornando-a dura, às vezes roxa.
A pele quente, o calor perfumado, vira o frígido selado num indecomponível
E a dança animada de um só par torna-se réquiem para outros bailes.
O desejo, a saudade (a quase-morte pela falta),
viram alegria repentina em outro sorriso.
E tudo transforma-se, com o toque do passar,
o sorriso vira antenas da cordialidade,
a cumplicidade torna-se um corpo comprometido
e o beijo vira asas, tornando o coração larva,
para outro amor consumi-lo.

Passagens

O amor é pássaro,
bem-te-vi,
pousa na flor,
uma petála!,
mal-me-quer,
e voa.
Homem perdido,
parado,
cuidado,
isolado do mundo sentido alguém.
Cuidado, armado
de algo para quem se aproxima,
é só carente,
mas só, perdido,
sem ter tido algo,
ausente.

diálogo urbano

Pára, porra!
Vai praonde?
Fazer o quê?
Tá maluco?
Como assim?
Comeu cocô, injúria?
Sem pé nem cabeça isso,
que nem essa conversa.

Poema para interpretar

Interpreta-se com facilidade o poema:
é só colocar-se na alma de quem o fez,
se o sentido não clareou-se use a sua,
se a situação piorou, leia outra,
se ainda não entendeu-se,
respire fundo,
agora, leia.
Ainda sem sentido?
Tente algo mais fácil!
Mas se foi tentado,
retornado,
facilitado,
clareado,
lido novamente
e não entendido,
agora sim,
respire fundo,
você é poeta!