terça-feira, 14 de dezembro de 2010

do cotidiano

Aquele turbilhão ricocheteia,
batendo em todas as paredes da existência,
(o tempo não é nada na mente humana,
um pensamento e vários mundos surgem)

E o ribombar do corpo:
a mão esfria,
é gelo e contra o calor do peito,
derrete, (é) sua,
é o momento,
é a marcha,
é tudo,
entre dois universos,
o choque...
(A física é drástica:
duas matérias ocupam sim a mesma alma)

Se esvai a tempestade em um sorriso,
se esvai a ansiosidade da guerra em um sorriso,
se esvai a espera em um sorriso...

O coração descontrolado anunciando a morte?
vira vida
O medo e a insegurança de não ser?
vira vida
O intranquilo nevoado?
vira claro, cor-de-vida

Se rendendo (descansa, corpo, não entenderá nunca a alma) ao suspiro:
caminham de mãos dadas na praia,
o mundo todo atrás dos passos:
é dos que amam...

"haikai?"

E quem só,
só,
só vive de ilusão.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

destino

Ontem encontrei o destino,
conversamos;
perene, estava inconformado,
tanta culpa lhe imputam;
que me disse, por fim,
Profeta, a todos eu falo,
a todos eu mostro,
a todos eu concilio,
e apago,
e trago, até o que de bom não lhes reserva,
mas, poetas, vocês insistem em sofrer.

Então eu parei, às seis horas,
e me despedi,
a partir de hoje sou eu por eu,
e só.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Desumano II

- Ei, moço, isso no chão é seu?
- Desculpa, senhora, não é meu.
- Tem certeza, moço?
- ...
- É o sorriso mais lindo que já vi.

Desumano

É tudo tão desencantado no mundo do nada.

Procura-se a magia, pois,
neste mundo sólido,
ela se perdeu.
É a dança, senhores, a dança da vida
a dança da mãe Gaia, em sua grata despedida,
culpa dos homens do franco abandono,
eis o manifesto contra o óbvio e o comum,
contra seus irmãos que a cercam.

A fúria, a calmaria, a intempestividade,
o comodismo e a aceitação,
balançados em dança na verdade.

Por isso os homens a temem,
suas mãos não alcançam o mar,
não subjuga-se ao seu frágil domínio,
eis que lá está o seu último desafio,
nada adianta, senhores, nada adianta,
a maré é mãe, é Gaia, é a sina,
é despedida e verdade,
é a alma ferida, de alguém enjaulado,
mas que quando se liberta explode em vida.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Aparência

[Ele, e apenas ele, leu,
naquele sorriso forte de Maria,
toda a dor, o sofrer e o dia,
em que a felicidade dela morreu.]

Censura

Derrubaram a Coroa,
os arqueiros ao muro tentam impedir,
mas é em vão,
derrubaram a fortaleza.

Corram, fujam e escondam!
Armem-se homens,
a covardia é a companheira menos certeira,
mas tão verdadeira como a coragem.

Já não é mais tempo de desespero,
a verdade bateu os portões do reino,
derrubou a todos:
o monarca guloso,
o padre incestuoso,
o juiz tirano,
a sociedade e o engano.

Flor

Como ave nasce,
escondida em mim,
nunca lhe falarei,
nunca lhe pensarei,
assim sou,
nem mencionarei,
em rasante voo,
apenas passe.

Nexo

Não fujo do caminho da vida
apenas tento encontra-lo
e sua procura é o de mais raso,
em minh'alma perpétua e ferida.

Por mais que se siga na estrada,
a indiferença é tanto mais do que santa,
anacrônica anta, que tenta abrir a guarita,
não há caminho, pois, somente a sina.

E a felicidade se perfaz sem sentido,
é um percorrer em círculo finito,
se perfazendo somente com o sorriso,
definho vazio, cheio de pensamentos,
por mais que seja maldito,
à importância do caminho.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Id

Eu me excreto, meu Deus, eu me excreto
por todos os poros, até em respirar,
fluidos, e fluidos de mim, buscam alívio.

Saiam para uma volta, e voltem,
são em mim e aqui vivam,
nunca se percam ou vão longe demais
tudo volta, ainda mais quando se fede,
aliás, mal cheiro depende de onde se cheira.

Traumas não se esvaem no sorriso branco,
é sempre a crosta amarela,
o torto desde o início,
por isso excrescências, suem, saiam, ganhem vida,
e retornem.

Também sou trauma, e dele vivo,
não sou só um,
preciso de vocês para viver.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu e você.

No espaço branco o vazio atormenta
não sou eu ali, vendo o dia tornar-se,
talvez seja a mim em páginas mal redigidas,
mas ainda não sou eu ali.

Não se esqueça que,
por mais que se tente,
não há natureza que abale
um coração fincado na intensidade da angústia.

Pois tudo desintegra
o sorriso, o sólido, a página mal escrita,
o eterno esvai-se na finitude do ser.

Agora sei, naquela página em branco,
cicatrizada por traços de lápis e borracha,
escrevi meu nome:
sou eu ali.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Passar o tempo III

Pressa, meu caro!
Pressa, o ônibus passa
e passa depressa.
Enfrenta a água friad'acorda,
engole o café.
E vai sem fé!

Hoje, sem tempo para nenhuma reza.

Passar o tempo II

Passatempo, tempo passa,
a todo e qualquer nenhum momento,
se é que você já deu tempo ao tempo,
saiba: o tempo passa, e há de passar.

Sem grande argumento,
nem adianta brigar,
é implacável e intolerante,
em seu percalço a morte e vida,
enquanto estou a pensar,
um passatempo, tempo passa,
e só a sorte há de nos salvar.

E nas ruas do tempo vazio,
os rostos d'antes conhecidos,
de rugas agora cheias,
nos mostra a decadência:
sorriso, amor e juízo,
e a velha clemência,
além da sorte,
para nos salvar.

Mas vida ainda há de brigar,
somente para aqueles que viram:
ninguém vive sem tempo,
porque tempo sempre há.

Passar o tempo I

Você,
não esqueça aquilo!
não está na pasta,
nos memorandos,
no arquivo,
na língua queimada do café apressado,
no grito do chefe pelo atraso,
ainda não viu,
mas você perceberá um dia,
que, em algum lugar,
alguém largou e esqueceu,
Você.

sábado, 16 de maio de 2009

Às armas, homens,
a morte chega hoje!

Às armas, por suas filhas,
por suas famílias,
por seu povo e nação.

Eis que vem à espreita,
a sanguinária faminta,
seu coração de estreita batida.

Às armas, e não se olhem no espelho
senão a verão.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Esperando

Voa, em meio a fortaleza dos corações
a acidez dos sentimentos
a burocracia da fé
e a perenidade dos tormentos

Voa, em meio a agonia do amor
a angústia do oprimido
e a incerteza se há remédio para a dor

Voa e desvia do abate da arma vil
do egoísmo sutil que se esconde no coletivo,
desvia de toda a sina,
voa mais acima do meu ser,
voa, pensamento em verde uníssono,
apenas para uma resposta:
aonde está Deus?

Cadeira de balanço

Ah! Breve aurora
tenho medo se é auréa.
Se eu te canto é sem vitória,
sou o outrora, teu fundamento,
querendo viver esta hora,
sem demora,
por que do agora,
não sei se quero passar.

Viva la indecisão

Esquerda, direita, frente, revolta
Esquerda, direita, em frente
Esquerda, direita não!
Esquerda?

Queda

Revira-volta...
Revira-volta, volver
Revira-volta, volver, direita
Revira-volta, volver, direita sem esquerda
Revolução?

sábado, 27 de dezembro de 2008

Clichê com J

Joaquim perdeu Joana no jogo
jaz, dela, o pai José,
jazido no jantar por congestão,
jóia era ela de Josefina, sua mãe,
jantada toda noite feito calabresa,
José criou, só, Joana e João,
(Josefina fugiu com o jornaleiro)
João jogou-se da ponte,
jornais noticiaram, ninguém entendia,
"Juventude perdida: Jovem joga-se da ponte"
Janeiro veio, então, descobriu-se o motivo do pulo:
Jasmim, jovem, uma jibóia, diriam, "come juízos"
Julho, nasce Joana, jeitosa, uma graça.
Já jovem, motivos de atenção,
Joaquim (filho do jornaleiro) joga-se nela
Já feitos 6 meses casam-se
Joaquim feliz, mas cai na jogatina
Jovem, perdido, joga joana no jogo e agora?
Jaz, de novo, para ela, o que sobrou:
Jacinto amor.