Neste pensar descomedido sobre o ir-e-vir-da-vida encontrei Pessoa ao acaso e ele me disse:
A morte é a curva da estrada,
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
domingo, 31 de agosto de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Um pouco daquele bigodudo
Apolo, vai-te, Dionísio, vem-te,
Em harmonia bruta,
nesta luta dês sempre perdida,
ambos em vão,
Vão-te, vêm-te,
Vendados, vendeta.
Da tragédia grega produto de dois irmãos,
Apolo é sonho, sincronia, perfeição e forma,
Dionísio é cru, embriaguez real da dor e sinceridade.
Apolo-construto chega-te,
e os teus dionisíos vão
Dionísio-loucura chega-te,
E a verdade é sã
Em harmonia bruta,
nesta luta dês sempre perdida,
ambos em vão,
Vão-te, vêm-te,
Vendados, vendeta.
Da tragédia grega produto de dois irmãos,
Apolo é sonho, sincronia, perfeição e forma,
Dionísio é cru, embriaguez real da dor e sinceridade.
Apolo-construto chega-te,
e os teus dionisíos vão
Dionísio-loucura chega-te,
E a verdade é sã
segunda-feira, 14 de julho de 2014
A voz da pergunta era frágil, mas parou o som: seu pensamento-questão gritava mais alto do que todo o ambiente. Se via destacado e, por isso, se assustou: não via mais aquelas pessoas que lhe cercavam.
Não era tão diferente dos outros momentos, quanto mais silêncio, menos estava presente, quanto mais barulho, mais estava ausente (no fundo, era um segredo bem guardado: ele nunca esteve aqui...).
Dois puxões em sua camisa para que ele respondesse a sua pergunta - e voltasse ao inferno dos decibéis.
Ela era estranha, alheia também de certa forma, ele não sabia se ela raciocinava comumente ou se estava em um estado alheio-similar. Muito provável que não, outro como ele era raro: Deus é bom.
E ela tornou a perguntar: "e o que te trouxe aqui?" E o barulho se foi, foi levado para outro mundo e ali soube que aquele resgate não podia ser obra de qualquer homem, só do amor.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Sobre o trabalho das mãos de outros e a morte.
Quando o que se adia é inadiável e você se põe a perguntar se o que se adiou, em verdade, é uma forma de se adiar uma outra coisa maior, inevitável e puramente inadiável?
Então, o primeiro inadiável era realmente inadiável ou fruto da limitação humana em enxergar o que é realmente inadiável?
Então, o primeiro inadiável era realmente inadiável ou fruto da limitação humana em enxergar o que é realmente inadiável?
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
O convidado - um breve diálogo acerca do sentido.
Em meio ao salão de alta roda social, taça de champagne (sim, o verdadeiro), homem distintamente bem trajado se aproxima àquele de calça jeans e camisa básica. Inicia-se:
- E quem és tu dentre todos estes homens?
- Eu? Eu sou o simples que observa e anota, este sou eu.
- Anotas para o quê? Qual a finalidade de tuas notas? Espiona a nós, homens de bem?
- Anoto para fim algum além de um simples pensamento. Anoto palavras-chaves para refletir, palavras acerca das pequenas coisas que vejo, ou das conclusões baseadas em induções que concluo.
- Impropérios! Qual espécie de homem necessita a anotar coisas para pensar? Ainda mais coisas que não são a todos reveladas! Há outros objetivos, releve-os!
- Não creio que haja impropérios em tão simples notas, veja-as.
(E no bloco haviam palavras como sorriso frustrado, sorriso forçado, sorriso vazio, tristeza no olhar, tristeza nos gestos das mãos, pseudo-felicidade).
- Agora sim vejo: invadiste tal nobre festa vindo de algum manicômio! És louco!
(E assim o salão voltava-se aos dois.)
- Na verdade, o senhor me constrange um pouco. Esqueceu que eu sou o principal convidado e que foi justamente o senhor quem me chamou?
- ...
(Continua)
- E quem és tu dentre todos estes homens?
- Eu? Eu sou o simples que observa e anota, este sou eu.
- Anotas para o quê? Qual a finalidade de tuas notas? Espiona a nós, homens de bem?
- Anoto para fim algum além de um simples pensamento. Anoto palavras-chaves para refletir, palavras acerca das pequenas coisas que vejo, ou das conclusões baseadas em induções que concluo.
- Impropérios! Qual espécie de homem necessita a anotar coisas para pensar? Ainda mais coisas que não são a todos reveladas! Há outros objetivos, releve-os!
- Não creio que haja impropérios em tão simples notas, veja-as.
(E no bloco haviam palavras como sorriso frustrado, sorriso forçado, sorriso vazio, tristeza no olhar, tristeza nos gestos das mãos, pseudo-felicidade).
- Agora sim vejo: invadiste tal nobre festa vindo de algum manicômio! És louco!
(E assim o salão voltava-se aos dois.)
- Na verdade, o senhor me constrange um pouco. Esqueceu que eu sou o principal convidado e que foi justamente o senhor quem me chamou?
- ...
(Continua)
Pequeno devaneio - curta poesia
Pára, pára mundo!,
não o de todos,
mas o meu.
Para no instante
que pára
parafraseia-me
dentro do seu.
Quando enxergo,
ego, id e superego,
parou o mundo,
porque o mundo cresceu.
não o de todos,
mas o meu.
Para no instante
que pára
parafraseia-me
dentro do seu.
Quando enxergo,
ego, id e superego,
parou o mundo,
porque o mundo cresceu.
domingo, 7 de julho de 2013
inacabado.
O fundo da alma é recôndito,
é o escuro de intricadas cavernas,
onde passeio por cada uma delas,
e o sussurro sempre traz o eco:
"onde estava aquele?
entre tu e ele não há mais nenhum vínculo..."
a luz cega os olhos acostumados ao escuro,
a dor assim transmuda-se,
dor escura, da perda, da vigília, da parte.
mas sofia, sábia, sabia, o que não se via:
a resposta.
...
sexta-feira, 5 de julho de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
sábado, 25 de agosto de 2012
Armistício
Se dá, se doa, se dedica,
mas se, em troca,
se quer, se perdoa e se pede?
Aí não se entende,
não se responsabiliza
e, no fim,
tão triste fim,
se perde.
mas se, em troca,
se quer, se perdoa e se pede?
Aí não se entende,
não se responsabiliza
e, no fim,
tão triste fim,
se perde.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
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