sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Mono-tom,
ameno tom,
sem o tom da pele,
sem o tom do sorriso,
do tom que se perde,
no tom que se encontra,
não há o mesmo tom,

na tonalidade persuasiva,
da lua que deixa o palco,
do dia que se renova,
do mundo que se encontra:
pra mais luta,
pra menos amor,
pra menos tua.
A insônia

De noite desvela o significado,
da apatia do dia,
todos dormem em pé,
e assim se raia.

Sou a exclusiva alegria do silêncio,
imersivo em companhia,
e nada mais me marca,
que essa monotonia.


Clareia, meu bem.

sábado, 25 de agosto de 2012

Armistício

Se dá, se doa, se dedica,
mas se, em troca,
se quer, se perdoa e se pede?

Aí não se entende,
não se responsabiliza
e, no fim,
tão triste fim,
se perde.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

E vencemos.

vim,
vi,
venci.

não vim,
não vi,
não venci.

(encontrei,
enxerguei,
e amei...)



Não importa para onde a gente fuja deste caminho que é a vida, pois, em uma volta completa, o fim se repete no sempre que somos nós dois.
Sorriso aberto,
e a mente vazia,
dá pena de Maria.

Coração decrépito,
e a mente sadia,
ainda há pena de Maria.

Passo em falso,
pois a mentira torna-se mania,
é culpa de Maria?

Erro crasso,
de quem não pensa,
não percebe,
e não chia,
e a culpa é sua, minha Maria.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Esperança

O tempo de espera;
espera, meu Tempo.
Espera com ânsia:
A ânsia de um vômito,
A ânsia do desassossego.
À espera de um tempo,
Que espera sem ânsia.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

[Aprendi a estar estável em mim quando não há você, aprendi a abrir as portas da casa para que passem, - e só passem -, os sentimentos alegres, mas, nem de longe, isso se chama felicidade]
Meu ser é sem tamanho,
em cada canto expandido,
movido a amor e ódio,
em sonhos de ferro fundido.

Meu ser é sem sentido,
e nem por outros meios o busco,
o retraio ou o perco,
- aprendi a maldizer os freios.

Mas nem por isso meu ser é completo,
se expande-se: procura;
se acha: questiona;
se torna-se alegre: sorri;
é a angústia de querer ver-se livre da razão,
e de um dia-após-dia.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

do cotidiano

Aquele turbilhão ricocheteia,
batendo em todas as paredes da existência,
(o tempo não é nada na mente humana,
um pensamento e vários mundos surgem)

E o ribombar do corpo:
a mão esfria,
é gelo e contra o calor do peito,
derrete, (é) sua,
é o momento,
é a marcha,
é tudo,
entre dois universos,
o choque...
(A física é drástica:
duas matérias ocupam sim a mesma alma)

Se esvai a tempestade em um sorriso,
se esvai a ansiosidade da guerra em um sorriso,
se esvai a espera em um sorriso...

O coração descontrolado anunciando a morte?
vira vida
O medo e a insegurança de não ser?
vira vida
O intranquilo nevoado?
vira claro, cor-de-vida

Se rendendo (descansa, corpo, não entenderá nunca a alma) ao suspiro:
caminham de mãos dadas na praia,
o mundo todo atrás dos passos:
é dos que amam...

"haikai?"

E quem só,
só,
só vive de ilusão.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

destino

Ontem encontrei o destino,
conversamos;
perene, estava inconformado,
tanta culpa lhe imputam;
que me disse, por fim,
Profeta, a todos eu falo,
a todos eu mostro,
a todos eu concilio,
e apago,
e trago, até o que de bom não lhes reserva,
mas, poetas, vocês insistem em sofrer.

Então eu parei, às seis horas,
e me despedi,
a partir de hoje sou eu por eu,
e só.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Desumano II

- Ei, moço, isso no chão é seu?
- Desculpa, senhora, não é meu.
- Tem certeza, moço?
- ...
- É o sorriso mais lindo que já vi.

Desumano

É tudo tão desencantado no mundo do nada.

Procura-se a magia, pois,
neste mundo sólido,
ela se perdeu.
É a dança, senhores, a dança da vida
a dança da mãe Gaia, em sua grata despedida,
culpa dos homens do franco abandono,
eis o manifesto contra o óbvio e o comum,
contra seus irmãos que a cercam.

A fúria, a calmaria, a intempestividade,
o comodismo e a aceitação,
balançados em dança na verdade.

Por isso os homens a temem,
suas mãos não alcançam o mar,
não subjuga-se ao seu frágil domínio,
eis que lá está o seu último desafio,
nada adianta, senhores, nada adianta,
a maré é mãe, é Gaia, é a sina,
é despedida e verdade,
é a alma ferida, de alguém enjaulado,
mas que quando se liberta explode em vida.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Aparência

[Ele, e apenas ele, leu,
naquele sorriso forte de Maria,
toda a dor, o sofrer e o dia,
em que a felicidade dela morreu.]

Censura

Derrubaram a Coroa,
os arqueiros ao muro tentam impedir,
mas é em vão,
derrubaram a fortaleza.

Corram, fujam e escondam!
Armem-se homens,
a covardia é a companheira menos certeira,
mas tão verdadeira como a coragem.

Já não é mais tempo de desespero,
a verdade bateu os portões do reino,
derrubou a todos:
o monarca guloso,
o padre incestuoso,
o juiz tirano,
a sociedade e o engano.

Flor

Como ave nasce,
escondida em mim,
nunca lhe falarei,
nunca lhe pensarei,
assim sou,
nem mencionarei,
em rasante voo,
apenas passe.

Nexo

Não fujo do caminho da vida
apenas tento encontra-lo
e sua procura é o de mais raso,
em minh'alma perpétua e ferida.

Por mais que se siga na estrada,
a indiferença é tanto mais do que santa,
anacrônica anta, que tenta abrir a guarita,
não há caminho, pois, somente a sina.

E a felicidade se perfaz sem sentido,
é um percorrer em círculo finito,
se perfazendo somente com o sorriso,
definho vazio, cheio de pensamentos,
por mais que seja maldito,
à importância do caminho.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Id

Eu me excreto, meu Deus, eu me excreto
por todos os poros, até em respirar,
fluidos, e fluidos de mim, buscam alívio.

Saiam para uma volta, e voltem,
são em mim e aqui vivam,
nunca se percam ou vão longe demais
tudo volta, ainda mais quando se fede,
aliás, mal cheiro depende de onde se cheira.

Traumas não se esvaem no sorriso branco,
é sempre a crosta amarela,
o torto desde o início,
por isso excrescências, suem, saiam, ganhem vida,
e retornem.

Também sou trauma, e dele vivo,
não sou só um,
preciso de vocês para viver.